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A tecnologia e o dilema do século XXI: mais inovação é o mesmo que ter menos segurança?

Especialista em cibersegurança debate maneiras de equilibrar a balança na hora de inovar a jornada de consumo com mais tecnologia

Quanto mais criamos mudanças com base em resultados tecnológicos, mais evolução sentimos para a humanidade. É inevitável: perceber o quanto a tecnologia nos proporcionou avanços na História é um caminho natural, posto que ela vem nos acompanhando desde a simples criação da roda até os óculos de realidade virtual aumentada, que criaram um mundo inteiro, fresco e novíssimo para se explorar.


Mas será que esse avanço desenfreado, sobretudo dentro da jornada de consumo, é de todo benéfico? Até que ponto é possível equilibrar a balança entre conviver com novas tecnologias emergentes e lidar com as consequências que elas proporcionam? Pois embora falemos sobre a cibersegurança, que vem crescente nos últimos anos, há também uma gama imensa de novos cibercriminosos, golpes e fraudes dia após dia — são mais de 5 mil ataques diariamente só na América Latina.


“Eu diria que esse é um movimento, na verdade, bem natural: conforme ficamos mais digitais, a superfície de risco aumenta. E o ‘prêmio’ está no mundo digital, então as atividades criminais tendem a migrar para esse espaço”, argumenta Rafael Sampaio, Country Manager da NovaRead Brasil, o maior conglomerado iberoamericano de segurança da informação.


Como equilibrar a balança entre segurança e tecnologia na jornada de consumo


Com mais tecnologia, é também mais espontâneo perceber uma migração do consumidor para os canais digitais. Isso ficou ainda mais evidente na pandemia, mas também abriu uma margem de possibilidades para novas fraudes e golpes — que vem ocorrendo com certa frequência, mesmo em empresas gigantes.


“Naturalmente, o mercado evoluiu e as preocupações com o mundo digital, vieram ganhando contornos mais complexos. Também por outro lado, a questão de segurança veio se agravando e o motivo não foi apenas por razão da pandemia — porque ela já era muito grave antes disso”, explica Sampaio. “Então, ao cibercrime, deixou de ser interessante explodir um caixa eletrônico e roubar um banco, passou a ser mais interessante fazer um ransomware e exigir um sequestro pelos dados de uma empresa. É mais fácil, mais barato e mais efetivo. As atividades maliciosas foram migrando do mundo físico para o mundo digital, conforme a economia também passou para esse plano”, completa.


Essa realidade é facilmente percebida nos últimos grandes ataques registrados: o e-commerce da Americanas S.A. que ficou dias fora do ar, o site da Lojas Renner que sofreu um ataque de ramsoware e mesmo outras instituições, como o Grupo Fleury e JBS, que também foram alvos de cibercriminosos.


O que é necessário entender, para regular essa balança, é que a tecnologia na verdade tem muitas camadas. E, quanto mais avançamos, mais é necessário estudar maneiras de torná-la segura.


“É preciso entender também que há formas e formas de se proteger. Cibersegurança é um assunto razoavelmente complexo e tem muitas dimensões. Então, na prática, se eu quiser te dizer para ficar seguro 100%, o único caminho é tirar o computador da tomada. Só que a empresa não pode fazer isso, é claro, então as coisas não funcionam assim”, acrescenta o especialista.


LGPD e o futuro da cibersegurança ao consumidor


Outro ponto de destaque é que, conforme avançamos, há uma série de estratégias que aparecem para garantir novas camadas de proteção. E a tão famosa internet, que antes era vista como um espaço sem leis, começa a ganhar uma nova dimensão na vida das empresas.

Um dos exemplos bem mais palpáveis que representam essa mudança pode ser visto nas ações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) que, a partir desse ano, começa a multar instituições que não cumprirem seus deveres para com o consumidor de acordo com a tratativa dos dados.


“Do ponto de vista da relação de consumo entre empresas e consumidores, eu vejo a LGPD de modo muito positivo. Cada vez que você adiciona uma camada de transparência a essa relação, a tendência é que isso, de alguma maneira, se reverta a uma marca mais forte”, argumenta Sampaio.


Para ele, um outro ponto que precisa ser esclarecido é que a segurança nas empresas também se torna um valioso e sensível ponto de foco para o consumidor, capaz de criar tanto um ótimo relacionamento quanto um importante ponto de atenção às corporações.


“Alguns de nós, no mundo da privacidade, inclusive advogamos que a privacidade será um dos atributos de marca importantes para o futuro. Então, as empresas que tiverem preocupação com a privacidade, buscarem aderência em meios de privacidade locais — no nosso caso, no Brasil, a LGPD — e conseguirem demonstrar isso para o mercado, elas provavelmente atrairão consumidores mais conscientes. Vai se tornar um atributo de marca importante para as empresas que quiserem sobreviver e prosperar nesse novo mundo digital”, completa o especialista.


A balança em desequilíbrio: como fica com o 5G?


São muitas as novas criações que podem causar um tremendo desequilíbrio na balança entre usar as novas tecnologias e ser vítima de fraudes e golpes após sua criação. E o real peso que balanceia ambas as situações tem sido a cibersegurança.


Com a entrada do 5G, por exemplo, o desnível fica mais evidente, posto que há mais superfície de risco para acessar informações dos usuários. “O 5G é um elemento novo que desequilibra o mundo digital. É um game changer: ele coloca na mão do consumidor, pelo celular, uma velocidade de conexão 100x maior”, pontua Sampaio. “Então, se hoje um cibercriminoso precisa de um equipamento super robusto para, de repente, fazer um ataque de força bruta em alguém, em um celular com 5G, já terá algum poder de impacto bem maior e da palma da mão”, completa.


É importante ressaltar, entretanto, que o 5G não é uma ferramenta ruim. Mas sua entrada nos países causa uma necessidade ainda maior de investimento em cibersegurança, em proteção dos dados sensíveis, que seja equivalente a toda a capacidade de transmissão dessa nova tecnologia.


“O 5G, com 100 vezes de capacidade de transmissão de dados na mão dos consumidores, significa dizer que os eles tendem a colocar mais dados na internet. É natural, não faz mais nenhum sentido alguém ter um dado no computador, em um PC, um servidor. O que faz sentido é ele estar na nuvem”, acrescenta o especialista. “Bom, mais dado no mundo superficial também significa mais superfície de risco, mais potencial para brechas. Então, se os problemas hoje existem em um determinado volume, com o 5G, a tendência é a cibersegurança se amplificar 300, 400 vezes”.


Bola de cristal: como usar a tecnologia e forma segura no futuro?


Para garantir um ambiente mais seguro e favorável aos consumidores — sobretudo agora, com a entrada do metaverso —, Rafael Sampaio separou três pontos para tornar a jornada de consumo mais segura.


“O primeiro que as empresas elejam um framework de segurança, para elas poderem ter uma régua a qual serão medidas mais apropriadas. Tem muitos confiáveis no mercado e isso faz muita diferença nos negócios”, indica o especialista.


“O segundo é entender que tudo em tecnologia é tempo ou dinheiro, não tem jeito, então, que essas empresas coloquem atenção nas “joias da coroa”. Ao invés de tentar proteger tudo que existe na empresa, talvez as pessoas tenham que entender que a segurança vem em camadas: as joias da coroa precisam ter proteção de 100% e o que não é joia pode ter menos controle de segurança”, complementa Sampaio.


“O terceiro conceito é entender que segurança é o equilíbrio entre a conveniência do cliente final e o desejo de estar seguro. Se uma empresa bota controle demais de segurança, talvez o consumidor não se sinta com tanta conveniência de uso, isso pode impactar a experiência. Mas se ela coloca controles inteligentes de segurança, ela eleva essa jornada a outro nível”, finaliza.


Por: POR LUIZA VILELA - 9 DE MARÇO DE 2022

Fonte: https://www.consumidormoderno.com.br/2022/03/09/tecnologia-seguranca-5g-lgpd/?utm_campaign=news-cm-100322&utm_medium=email&utm_source=RD+Station



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